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Airbnb derruba mais de 1.600 anúncios irregulares de imóveis sociais em SP

Equipe AlugaFácil6 min

Três meses depois do primeiro aviso, o Airbnb começou de fato a remover anúncios ligados a imóveis HIS e HMP em São Paulo. Veja os números da nova fase e o que muda na prática para quem gerencia aluguel por temporada.

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Airbnb derruba mais de 1.600 anúncios irregulares de imóveis sociais em SP

Em maio, o Airbnb avisou que ia remover anúncios de imóveis de habitação social em São Paulo. Na segunda-feira (3 de agosto), a plataforma começou a fazer isso de verdade.

Segundo a própria empresa, já foram identificados 1.625 anúncios ligados a imóveis de habitação popular que estavam sendo alugados por temporada na plataforma. Desses, 773 estão ativos e vão ter os anfitriões notificados sobre a remoção, e 852 já estavam inativos e serão excluídos em definitivo.

Se você acompanhou nosso artigo de maio sobre o aviso inicial, essa é a atualização que muita gente do setor estava esperando. É a diferença entre a plataforma dizer que ia fazer e a plataforma fazer de fato.


Por que esses anúncios não podiam estar no Airbnb

Os imóveis por trás desses anúncios são classificados como Habitação de Interesse Social (HIS) ou Habitação de Mercado Popular (HMP). Foram construídos com incentivos da Prefeitura de São Paulo e, como contrapartida, só podem ser vendidos para famílias dentro de faixas específicas de renda:

  • HIS-1: renda de até 3 salários mínimos, imóvel de até R$ 276.102,20
  • HIS-2: renda de 3 a 6 salários mínimos, imóvel de até R$ 383.636,74
  • HMP: renda de 6 a 10 salários mínimos, imóvel de até R$ 537.672,71

Quem compra dentro dessas faixas pode alugar o imóvel, mas não pode revendê-lo por dez anos. Na prática, muitas dessas unidades acabaram indo parar em plataformas de locação por temporada, o que contraria a finalidade social do benefício.

Reportagem do jornal O Globo mostrou que a Prefeitura já aplicou mais de R$ 4 milhões em multas a incorporadoras por desvios na comercialização dessas unidades.


Como o Airbnb chegou a esse número

O processo começou em abril, quando a Secretaria de Habitação (Sehab) enviou ao Airbnb e à Booking.com uma lista de endereços de imóveis com essas restrições. Em nota, o Airbnb afirmou que esse será "um processo contínuo com base em informações oficiais fornecidas pela Prefeitura", e que hóspedes com reservas impactadas vão receber suporte para reacomodação.

Anfitriões que discordarem da classificação do imóvel precisam contestar diretamente com a Prefeitura. O Airbnb não faz essa análise, só aplica a lista recebida.


O tamanho do problema: por que isso não é caso isolado

O motivo de tantos imóveis HIS/HMP terem entrado no jogo do aluguel de temporada fica claro em um dado do Secovi-SP. Só entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram lançadas 129 mil unidades de habitação de interesse social e mercado popular em São Paulo, o que representa 67,4% de todos os lançamentos residenciais da cidade no período.

Esse tipo de empreendimento virou atraente para as construtoras principalmente por um benefício: a isenção total ou parcial da outorga onerosa, o valor cobrado para erguer prédios mais altos em áreas valorizadas. Quanto maior a área construída, mais se paga, a não ser que o empreendimento inclua unidades HIS ou HMP.

O resultado foi uma explosão de oferta desse tipo de imóvel. E, para uma parcela de investidores, isso virou uma oportunidade de comprar barato e operar como Airbnb, ignorando a restrição de revenda e de uso.


O que muda na fiscalização daqui pra frente

Desde 2024, a Prefeitura vem reforçando o controle sobre esse tipo de imóvel:

  • Obras com unidades HIS/HMP precisam exibir placas amarelas informando isso publicamente
  • A informação também precisa constar nos panfletos e sites dos empreendimentos
  • Cartórios de registro de imóveis agora incluem a classificação HIS/HMP diretamente na matrícula do imóvel
  • Compradores precisam comprovar renda compatível, e o cartório comunica a Prefeitura quando isso não acontece

Ou seja, o cerco fechou tanto na ponta da venda, no cartório, quanto na ponta da operação, nas plataformas de aluguel.


O que isso significa para quem gerencia aluguel por temporada

Se você opera imóveis de temporada em São Paulo, seus ou de terceiros, essa fase de execução (não mais só aviso) muda o nível de risco real:

1. A remoção agora é automática, não uma ameaça distante

Com a lista oficial em mãos, o Airbnb está removendo por lote, sem aviso prévio individual além da notificação de remoção. Um imóvel que "sempre funcionou" pode sair do ar de uma hora para outra se estiver na lista.

2. Documentação deixou de ser opcional

Saber com certeza se o imóvel que você gerencia é HIS, HMP ou residencial comum passou a ser tão importante quanto saber o valor do aluguel. Isso já devia constar na matrícula, então vale conferir antes de assumir a gestão de qualquer novo imóvel.

3. O padrão tende a se espalhar

O caso de São Paulo segue o mesmo movimento que já aconteceu em outras cidades do mundo: plataformas colaborando ativamente com o poder público em vez de resistir. Quem depende de operar na informalidade tende a sentir esse aperto crescer, não diminuir.

Na prática: gestores com um sistema centralizado sabem em minutos qual é a situação documental de cada imóvel da carteira. Quem ainda depende de planilha ou memória só descobre o problema quando o anúncio já saiu do ar, e a receita junto com ele.


Conclusão

A diferença entre maio e agosto é a diferença entre uma ameaça e uma execução. O Airbnb não está mais só sinalizando que vai agir, está removendo em lote, com base em dados oficiais da Prefeitura, e chama isso de "processo contínuo".

Para quem gerencia aluguel por temporada de forma séria, o recado é direto: regularidade documental deixou de ser burocracia e virou proteção de receita.

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Fontes:

AlugaFácil • Gestão Profissional

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